Querubim Lapa (1925-2016). Uma conversa que não acaba

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O ceramista e pintor morreu aos 90 anos. Deixa uma obra imensa espalhada por todo o país. O DN esteve na sua última aula, há menos de um mês

Ainda ontem, em abril, alimentou uma aula aberta com desenhos e palavras, muitos desenhos e muitas palavras. Uma aula aberta que encheu o auditório da Escola Superior de Educação de Lisboa. Ontem chegou a notícia da sua morte, aos 90 anos. O mestre Querubim Lapa há menos de um mês contava-nos uma história. Repetia frases como: “Ah, isso era uma conversa que não acabava.” Havia muitas histórias em cada história. E a história dele está nas paredes de Portugal.

O DN esteve na última aula do mestre. Foi a 9 de abril de 2016. Querubim, nome de anjo – como o próprio reconhecia e brincava -, tinha o seu tempo. Reformou-se de 45 anos de “carreira” de professor e ceramista e foi quando começou a trabalhar mais, “tinha o tempo todo disponível”, contava à repórter. Dedicou-se mais à pintura – disse, na altura, que deve ter uns 200 retratos da mulher (Susana Barros, que foi sua aluna), porque gostava muito dela – mas era na cerâmica que se sentia livre.

E é na cerâmica que deixa as marcas mais icónicas no espaço público. O Sol Ardente (1962), baixo-relevo que brilha na pastelaria Mexicana, em Lisboa; o mural da Casa da Sorte, no Chiado (1963) – foi encomendado pelo arquiteto Conceição e Silva e que o mestre considerava a sua obra maior da cerâmica (esta loja foi comprada pela Pastelaria Alcôa e permanece entaipada); os painéis cerâmicos espalhados pelo Hotel do Mar, em Sesimbra (1963); o relevo cerâmico do Casino Estoril (1967); os painéis do Palácio da Justiça, em Lisboa (1969); o painel da Loja das Meias do Rossio (1960), até há pouco tempo encaixotado e agora integrado na nova Loja das Meias na Avenida da Liberdade.